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ÍNTIMO

Três da manhã. Regresso a casa. Onde antes os gritos mudos eram inaudíveis porque ninguém ouvia. Tinha de fazer por ela. Reagir por ela. Tinha de se curar por ela porque quando todos partem é ela que fica. No caminho da cura individual, encontrou alguém que chegou devagar e manteve-se sem medos de quem tinha ao lado, que não fugia com o que ela enfrentava em dias negros, lembrava-a que ela era a própria luz que iluminava por onde passasse. Depois de uma noite de conhecimento individual e partilhado, trocaram risadas, olhares e toques de dedos entrelaçados como dois apaixonados. Perderam-se no seu próprio mundo onde eram dois planetas nesta imensa galáxia. Entraram em casa ainda a dançar e assim passaram a noite: entre dança de corpos, troca de olhares e sentiram-se mais íntimos do que já foram. Porque a intimidade é mais do que despir roupas. É despir partilhas, emoções, medos, segredos e sonhos.

RECOMEÇAR

Tinha tudo o que queria mas não o que precisava. Queria-te mas não eras o melhor para mim. Procurava-te durante o dia nos rostos dos outros e à noite era à Lua que dizia que tinha saudades tuas. Sem dizeres muito, percebi que era o suficiente para me mostrar que não me fazias bem. Doeu, mas precisei de te deixar ir porque não quiseste andar ao lado e enganas-te se vou puxar-te para mim. A única pessoa que puxarei irei ser eu própria para me levantar de cabeça erguida. Foste uma lição que não quero nem vou voltar a repetir. Se aprendi (à bruta) foi contigo. O amor não tem de ser difícil, tem de ser leve e ser trabalhado em conjunto e não cada um por si. Ainda é cedo para dizer que vais deixar saudades mas de uma coisa eu sei: não vou ter saudades de como me fizeste sentir. Não vou. E quem ganhou fui eu: mais liberdade do que me não me acrescenta.