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Lembra-te de Mim

Lembra-te de Mim

30.08.25

Memórias gulosas (parte II)


Débora

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Finalmente pertences arrumados.
 Camila arruma a loiça e dirige-se até ao quintal. Percebe como está lindo, pois a antiga proprietária era uma jardineira reformada e apreciava ver o quintal bem cuidado. Trocou ideias e pedido de ajuda à senhora nos cuidados a ter com o mesmo, pois com uma beleza que vira, não podia deixar que se estragasse. Desde malmequeres, papoilas, rosas, flores do campo, lavanda, toda a flora mostrava tranquilidade como Camila precisaria nos próximos tempos.
 Enquanto respirava fundo e posteriormente concentrava-se na sua respiração, sentia o Sol a bater no seu rosto e os seus cabelos navegavam ao sabor do vento, ouviu um miar. Camila tentou perceber de onde vinha o som e procurou entre as flores. Mais ao fundo, aproximou-se com cautela de um gatinho cor de laranja riscado. Aproximou a mão para este o cheirar e ronronou. Roçou o focinho na mão da rapariga. 
Supôs que não tivesse dono e resolveu cuidar do animal até ao dia seguinte levá-lo a um veterinário para saber da situação. Caso não se verificasse, iria adotá-lo.
 Camila sempre crescera com animais devido aos seus avós possuírem uma herdade com animais do campo, não excluindo gatos domésticos.
 Numa das últimas visitas a casa dos seus avós, Camila usufruiu da companhia do gato Apolo que os avós adotaram de uma ninhada de uma vizinha. Bebia um chá quente de hibisco e apreciava a paisagem e o quanto ansiava pelo espaço para poder usufruir dessa liberdade.
 Ao colher o animal parecido a Apolo até ao dia seguinte, Camila sorriu ao lembrar esta imagem. E achou curioso ter sempre comida aconchegante associado a memórias felizes. Como estas memórias lhe desse colo, amparo e sorria ao poder passá-las a Esperança.
 O pai de Esperança regressaria em breve do exército e mal podia esperar para lhe contar as memórias revividas.
(Continua em breve. Terceira e última parte do mesmo) 








27.08.25

Memórias gulosas


Débora

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Ao fim de cinco anos de luta de poupanças, de sacrifícios, de trabalhos a dobrar e de estar dentro de prazos, a Camila consegue comprar a sua casa de sonho. Não podia estar mais orgulhosa da sua compra: casa no campo, com quintal para tratar da sua horta, um baloiço de madeira que construiu com o seu avô e a sua pequena piscina construída de raíz.
 Ao desempacotar os seus pertences, cada objeto que tirava das caixa era uma viagem pelas suas memórias, lembrava--lhe um outro momento e estava entusiasmada pelo seu novo caminho. Retirava os seus cadernos onde escreviam histórias sem fim. De amor, de amizade, de suspense, de fantasia e por fim, tirou um dos seus livros favoritos que escrevera no ano passado: Memórias Gulosas. Um livro que escrevera com memórias de pratos, de refeições, de momentos de partilha entre família. Desfolhando o livro para viajar no tempo, reparou na receita de compota que a sua avó Alice lhe tinha dado. Sorriu ao lembrar as horas passadas na cozinha, a avó a explicar o processo e quando o avô aparecia para provar sem estar completamente pronto. Como era guloso o avô Augusto! Recordou Camila.
 Camila dirigiu-se à despensa onde já tinha guardado alguns dos seus pertences e reparou num frasco de compota que a avó lhe tinha dado como presente. Nada melhor do que fazer uma pausa nas mudanças e fazer um lanche guloso: sandes de compota de cereja com um café caseiro, feito na cafeteira que tinha comprado num feira vintage.
 Cada dentada no pão era uma viagem às memórias vividas e mal podia esperar para as passar à sua família no futuro. 
 A família de Camila ia crescer. Pois num futuro incerto e mau como ele está, iria nascer uma Esperança que fizesse diferença no futuro.
(Continua em breve)
 

26.08.25

Novos ciclos


Débora

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 Quando uma folha cai, outra nova se prepara para nascer.
 Há ciclos em tudo na vida. Tudo se transforma quer queiramos ou não. Nem tudo corre como nós queremos (e eu que o diga!...) mas começarmos a aceitar que tudo é um ciclo, já estamos a atravessar por um. Onde aceitamos a realidade que temos e não a que queremos.
 A vida vai mostrando-nos como temos de ser fortes mas também como podemos ser vulneráveis. Porque somos pessoas e não máquinas. Onde sentimos o que não queremos por mais ansiedade que tenhamos. Mas esse ciclo podemos enfrentá-lo com resiliência, com pedido de ajuda, como for melhor para nós. O que fizer sentido para nós.

 Por mais ciclos que atravessemos não podemos esquecer o que caminho que já traçamos. Das dificuldades que ultrapassamos, dos medos que enfrentamos, das ansiedades que sentimos, das gargalhadas que surgiram e das memórias que ficam. As boas. As menos boas.

Que continue a ser um caminho com ultrapassagem de desafios, com um futuro melhor à espreita e que saibamos com quem podemos contar.

Respira. O que já andaste é incrível e será (ainda) melhor.