17.11.25
O som do silêncio
Débora

Quando queremos gritar no silêncio? Quantos gritos cabem lá? Quantos gritos inaudiveis deste? E quantos nem deste?
Num mundo onde vive o barulho, tem que se tomar atenção é a quem está calado. Porque guarda para si, não partilha, sufoca e leva consigo o peso grande no peito.
O silêncio só é saudável se a relação for saudável. De amor próprio e de amor ao próximo. No silêncio não saudável existem medos, ansiedades, pânicos, horrores que só os corajosos querem enfrentar. Por vezes querem mas não conseguem, é preciso ajuda e está tudo bem com isso.
No silêncio revives momentos passados e dás por ti a recordar episódios que tens saudades, que já não voltam, ou relembras pelo que devias ter dito e feito.
Pior é quando o silêncio não te deixa sair desses pensamentos constantes e cabe-te a ti mesmo/a saber o que fazer com eles. Se fôssemos atrás de cada pensamento que temos, onde estarias neste momento? Num local feliz ou infeliz?
Temos de ter cuidado com as escolhas que fazemos e com os silêncios que temos. Ou levam-nos para um local feliz para um local infeliz. Qual estás disposto/a a ir ou a escolher mais vezes?
No som do silêncio, ouve quem está calado e está a pedir-te ajuda com um olhar ou um gesto. Porque até ao mais falador, fica mudo em tempos de barulho.