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Lembra-te de Mim

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10.11.20

ORGULHO DE NETO

Débora

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Alice e Tomé. Os meus avós. Por onde começar a falar de memórias felizes que tenho com eles? Temos tanta coisa para contar, mas vou escolher algumas para sintetizar...
 A minha avó Alice tem setenta e nove anos e o meu avô Tomé tem oitenta e dois anos. Idades bonitas e continuam a amar-se como no primeiro dia. Estão juntos há cinquenta e cinco anos. Além de se amarem, também são brincalhões como adolescentes que hão de ser sempre. Já sentem o meu orgulho?
 Passei a minha infância na casa deles. Na aldeia, cujo nome fica entre nós, família, pois aquilo que é contado, estragam, como dizem. Se há algo que não quero estragar são memórias felizes.
 Memórias de me levantar cedo com o meu avô para vermos o nascer do sol. De vermos os pássaros a darem-nos os bons dias. A natureza a acordar e mesmo no inverno! Sim, porque de inverno, com amanheceres gelados, aquele momento de partilha, aquecia-nos o coração. 
 Foi o com o meu avô que aprendi a pescar. Cheguei mesmo a apanhar alguns peixes! E que orgulho a minha avó tinha de mim... Ligavamos-lhe sempre que conseguia apanhar um peixe. E ela? Ela fazia  umas batatas doce no forno para acompanhar, como ninguém... Ao retirar do forno, regava-as com molho de manteiga e um ramo de alecrim antes de nos servir... Parece que já lhes sinto o cheiro. Havia algo mais e perguntava o segredo, mas nunca me contou. Ainda bem que não, porque assim perderia toda a magia do seu cozinhado.
 Aos domingos, fazíamos um bolo de caseiro. Programa de avó e neto. Dizias que poderia levar para a escola porque o bar só vendia coisas que faziam mal. "Uma vez por outra, não faz mal. Mas este bolo que fazemos é que te satisfaz", dizia ela. E com razão.
 Antes de se reformarem, o meu avô foi enfermeiro e a minha avó foi professora. O meu avô ainda deu aulas de enfermagem a uns vizinhos! E sendo professora, a minha avó pôde ajudar a minha mãe nos estudos. Pouparam a pagar a uma explicadora e a minha mãe teve boas notas! Dois em um, como dizemos sempre! 
Eu, o seu neto Afonso, já com vinte e nove anos, ainda conto estas histórias ao meu filho, Matias. 
 No entanto, melhor do que eu as contar, é eles já as viverem. Ainda no fim de semana passado houve pescaria e doçaria. Que orgulho dos meus!
 E agora, finalizo porque se não, não tenho presente de Natal para eles a tempo! Tenho andado com negócios, mas para os meus, arranjo sempre tempo. Que bom que foi recordar estes momentos e já estou a imaginá-los com lágrimas a cair. Eu acho que já estou! Recordem memórias com os vossos. Sejam felizes e sobretudo demonstrem amor, como eu estou a fazer.
 Um Natal feliz, do vosso querido neto Afonso.

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